segunda-feira, 18 de abril de 2011

Envelhecer

 Sim eu quero. Às vezes não vejo a hora de  viver sem pressa, certa do meu fim, mais intensa que nunca. Quero caminhar com o mundo, na velocidade da beleza, sem mutilações estéticas nem culpas, com a cara de missão cumprida. Não quero estar nas mãos de alguém, nem quero este alguém em minhas mãos: quero estar ao lado, sorrindo com os dentes cheios de histórias, a pele palimpsesto profundo de risadas e lágrimas. Quero envelhecer muito mulher, sem estereótipos, simplesmente desdobrável. 
 Nunca desejei uma juventude eterna, tampouco ser desejada o tempo todo... era julgada na infância por ser uma menina velha demais pra minha idade... é que para mim a velhice parece permissiva e livre de julgamentos. Eu amo viver. Não estou ansiosa pelas rugas e cabelos brancos, estou apenas vivendo absurda e degustando os instantes todos... afinal, não é para isso que estamos aqui?
 Por fim declaro: quero envelhecer como as francesas. Atentai bem, não quero envelhecer na França, quero envelhecer como as francesas, entenda como queiras. E tenho dito.

quarta-feira, 23 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Água viva

Sob o peso da atmosfera
temos a certeza de um sussurro
ao pé do ouvido
O vento mordido
repete os mesmos verbos:

Somos os mortais perdidos
com medo do infinito
sorrindo diante do hediondo

Somos os meninos
carregando baldes vazios
rumo ao poço dos desejos
fragmentados pelo sol

Somos enfim solitários
vadios e canalhas
presos às insinuações diárias
aos ditados desmerecidos

Continuamos de terno
soltos no meio da rua
sorrindo, patéticos e belos,
inconscientes que estar vivo,
realmente, não tem de quê.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade

Vim aqui dizer que tudo em mim é verdade. Que todas as sílabas que pronuncio, notas musicais que danço e filosofias que invento são de verdade. Vim aqui desnuda dos escudos habituais, mostrar minhas fraquezas na arena em que me propus: eu escrevo para tudo e todos, no mesmo desespero real e imutável da falta de objetivos tão humana.
Vim aqui dizer que tudo em mim é vivo e para mim isso é verdade. Vim aqui exibir o sangue quente, as letras repetitivas em estilo desfigurado. Vim aqui cheia de ossos e sonhos, aqui, bem aqui, para dizer que de verdade eu amo. Amo com tudo. E pra mim isso também é verdade. Vim lembrar que sinto tudo, que sinto muito mesmo esse sentir tudo, e que tudo isso também é verdade, mesmo que sem nome desse jeito. E todo esse tudo sem nome faz parte de mim, e mesmo que isso não seja definição esse isso tudo é verdade. E essa verdade me escapa entre os dedos quando eu choro.
E eu sou toda assim.
Eu sou de verdade.
Tudo de verdade. 

(E toda eu estou aqui, mesmo quando essa verdade não se torna poesia. Danem-se os mestres, hoje eu só quero escrever e vender ao preço de uma leitura.)