Me sentindo solitária por esses tempos. O trabalho afasta as pessoas... os desejos nos levam ao trabalho. A crueldade desta escravidão me aterroriza... Marguerite Yourcenar teve razão.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Desenredos 14
Recomendo aqui a revista de cultura e literatura Desenredos, um periódico digital que admiro e respeito por sua primazia na manutenção de uma linha editorial que vale a pena ser lida.
Nesta edição tive o prazer de participar com 6 poemas.
domingo, 8 de abril de 2012
Poema da noite
Noite
calabouço voraz
intermitente pedra nos olhos
imagens rudes
de onde o templo magnífico
não se apresenta à vossa sombra
Voraz
antídoto das mágoas
ruínas memórias suicidas
entrevejo um possível de riso
na amplitude do deserto negro.
Um desejo
é tudo que ronda tamanho espaço
é tudo que morde meu mamilo seco
é tudo que rende um faminto beijo
e exaspero-me em saudades...
Não mais aqui estamos
as mãos soltas na aurora nervosa
o suor denso o peso
o ambíguo jeito que me olhas agora...
Noite
calabouço voraz
e me admiro ainda de tua fome
do meu passo pesado
tua mão enorme:
uma sombra invade o recinto
e choro
Voraz
como as fiandeiras
sedentas pelo corte
como a sede espinhosa
na língua aflita
como o sacrifício onde
os deuses se alimentam.
De mim resta apenas
o rosto do sujeito
indefinido e criterioso
a observar o escuro fosso
de um poema inacabado.
A noite é voraz silêncio
indagações são ventos
que animam os corpos.
Estamos a um passo do deserto
e meu corpo lá espera
por um sopro do poeta.
sábado, 31 de março de 2012
Estudo n°07
Dos teus duros olhos de âmbar
escapa a minha dança
e sobram outros segredos.
Duros aspectos do medo
sinto meu pulso revidar
um ritmo atravessado em garganta
e ainda em dança em dança
no âmbar dos nossos anseios.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Por onde começamos?
Não sei ao certo se a porrada que levei hoje é válida como ponto de partida de alguma palavra forte.
Não sei mesmo. Quantas vezes se começa algo? E os términos?
Só posso sentir o gosto do sangue, delicado, na língua inquieta.
Só dúvidas.
Nada pode me fazer mais melancólica. E completa.
E o que fazer com as coleções de fracassos?
Despejo-me numa causa solitária, e o passar dos anos é o meu maior desejo.
E isso daqui fica assim, terno e flutuante, isso mesmo, é essa a referência...
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