O corpo nu permanece deitado
e as ausências sobram sem cor quando
metáforas inesquecíveis evaporam
do ardor doentio de ser.
Não arredo pé enquanto não couberem
em mim
todas as perguntas do universo
cor, cheiro e sexo
pense o quanto quiser...
Enquanto caminho no frio
meu corpo dorme assustado
ainda nu
como nasci
nu
como morrer é. Acordo.
Eu, que nem sei como construir
um edifício multifaces.
Eu, que nem sei como consertar
os teus ombros que os mundos não cabem.
Só queria te falar
mas não consigo
nem sutil pronúncia...
Incompetência linguística, paixão...
Acordei mais uma vez
sozinha
arrependida de não tê-lo antes ficado.
Não tremo
meu corpo arde porque é preciso:
segura minhas mãos e vem comigo
que o glorioso fim nos espera.
[Fecham-se as cortinas. Suspiros]