sábado, 22 de dezembro de 2007

...

O sol que afugenta os pensamentos.
A fome que arremata, arrebata e arrebenta a cultura.
O barulho que enlouquece os sentidos.
A cidade se apresenta sem preces.

A cidade e suas marionetes.
A cidade e seus fantoches.
A cidade que se perde e me pede: me leia!
me descubra!
me possua!

A ser assim cidade
com suas veias entupidas.
Com o coração na iminência de enfarte!
Com o cérebro luminoso fluorescente.
Pisca, pisca e pisca e queima de repente...!
E dói e mastiga os temperos da vida.

Cidade de ambíguos umbigos ambiciosos.
Cidade movimento
músculo
nascimento.
Transparência que mostra os mascarados vampiros
a bailar
olhos, olhos, olhos nos olhos de espíritos que tentam escapar...

Sorriso amargo na cidade desespero.
Alguém pinta uma placa
nomeia uma rua sem calçamento
a rua sem ambições:
"rua do disprezo e da escuridão"
Precisa-se nomear mais?
Precisa-se especular poetica-inutil-mente a respeito?
Os olhos se fecham
na tentativa de escapar
às acusações na esquina do tempo.

Esquina do tempo: ninguém se esquiva.
Cidade, ...domínio.
Aleijão da terra.
Cidade, ...desperdício de força.

Pessoas que desejam máquinas que compreendam
pessoas que desejam camas macias com outras
pessoas que gritam tanto o dia todo com
pessoas que queriam vida, sedentas, no entanto só se deparam com mais
pessoas e seus espetáculos particulares, e seus sorrisos malabarísticos,
e seus sonhos e desejos que culminam na desesperadora necessidade
de amor.
Mesmo que seja o amor próprio.

Pensar bem,

passar bem!

Um comentário:

Anderson disse...

Adoray!
Escalafobeticamente inspirador!
Bayjos!