sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

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Acordo com os olhos ainda fechados e peço que os sentidos saiam pela minha boca, pois pelos olhos os sentidos não alcançarão onde quero tocar. Reverberar os centímetros de asfalto quente ao meio dia, restaurar as crateras no rosto daquela senhora parada no ponto de ônibus, fazendo careta do calor que sobe democrático. Somos todos um só, somos todos um som, sou uma reescritura sagrada por ser música, sofrida por ser poesia, louca por ser em prosa. Quero apenas conversar. Entonação de voz mais limpa possível, clareza, olhar escuro e tenso, ... apenas conversar. Não garanto que algum vá me ouvir, por isso mesmo que escrevo, ouvindo uma música que me guia extraordinária. Algo pesado me consome por esses dias e as palavras não me saem como deveriam, tenho uma gestação frustrada atrás da outra, sou uma alma se tornando pedra, queimada pela fogueira de alguma instituição revoltada e incompleta, estou afogada, maculada, destruída, sem rumos nos meus cantos. Nada me salva. O que me resta é uma tristeza latente, meu vício maior, e que eu fujo desnorteada, com o perigo em meus calcanhares fracos.

2 comentários:

Dreamer disse...

às vezes as letras andam em ritmo diferente e se atropelam na saída, seja pela boca, seja pelas maos. Já os nossos calcanhares nunca correm o bastante.

patricia disse...

muito bom!

bjs,