sábado, 9 de janeiro de 2010

De quando a rua foi engolida por um dragão de nuvens

Vamos começar. Seriedade demais cega, e eu ainda quero achar lindo o nevoeiro que cobriu o prédio da esquina. São pelo menos dez quadras de distância, dezenas de passos, e meus olhos não veem dez palmos adiante. É um prédio enorme e ficou tudo branco, um véu sem cheiro, sem textura, mas que carrega tanta vida. Eu sabia que na beira do rio estava mais denso, uma dança contra as luzes do poste e o que eu mais queria era estar lá, só para ver mesmo, só para admirar com força, bem forte e terrível, assim até chorar o desespero da feiúra diária ao meu redor. É cansaço. Queria pegar na mão mais próxima e adentrar naquela nuvem que desceu ao chão, correr desesperada como quem foge de onde não se pode fugir.

Um comentário:

.Leonardo B. disse...

[as palavras serpenteiam nesse vago voo, mas não se ausentam na fuga!]

um imenso abraço

Leonardo B.