quarta-feira, 3 de outubro de 2007

tensão, desabafo de uma repetição

Pois que seja poesia tudo aquilo que tenta voar, mesmo que caia e se machuque no chão!


Quero escrever algum mote diferente, parar de mergulhar, de acordar para dentro...preciso viajar, preciso desaparecer do mesmo universo que frequento, preciso não sucumbir às tentações do infinito! Quero mudar o mote, de um beijo, de uma dor de poesia para uma prosa mais concreta,... sério! Queria falar de umas pedras, ou quem sabe do país tropical em que vivo, ...mas porventura pode ser que eu venha a escrever a respeito de dores alheias e impressões apenas...
Alguma poesia que não rime de novo, que não seja inefável...eu quero algo escroto! Quero uns motes mais imundos, in-mundos, talvez mudos, ou que só saibam se mover disformes e dispostos a voar sozinhos...
quero falar de dentro mais não...
de dentro demais não
de mais não
ainda volto aqui de punhal na mão, sangrando o lirismo contido que ainda tenho, na outra mão as folhas que estavam ali, com cheiro de folha em branco, assim convidativa, maliciosa, espertinha...ah sim as folhas em branco! Chega de falar delas.
Talvez que eu escreva sobre a Lua, ou sobre um cão que estava na sarjeta,...talvez um homem - cão que dormia num banco às margens do rio Parnaíba, no meio do dia...Talvez que eu faça poesias sobre os pássaros que sobrevivem ao Caos no meio da feira livre, não, acho que nós é que sobrevivemos,...o pássaros se fartam...e são assim, como todos que têm asas: difíceis de conquistar!!!
Ainda não achei o tal mote, escreverei um livro inteiro sobre ele...O MOTE! mote desgraçado...mote sem dramalhão...sem lirismo de beira de esquina...quero uma porrada, uma pancada de Mote na cara!

e viva a madrugada sem fim!
Viva a dor nos olhos de ficar aqui imaginando motes...enquanto isso a poesia desfila inquieta na minha frente, me xinga, me desmoraliza...mereço!
Viva , mais um viva aos dias curtos....às impressões que ficam nas calçadas, é terrível não poder trazê-las até este instante!
Viva aos meus cabelos que insistem em prender os sentidos que derramam de meu crânio...

e por fim: Viva ... a sua vida ...
que eu vou procurar meu mote!

Um comentário:

barrosbatera disse...

tens raiva, tens ódio, tens gosto amargo na boca. tensas palavras. texto tensamente desenvolvido. o mote na madrugada ainda renderá tanto, alecrim.