terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Sem título
fantoche do absurdo
cabeça vazia e peito cheio
sempre
em desacordo com o tempo
quase
ao alcance das constelações
No caminho não procuro
tabacaria alguma
tampouco finjo o que não pretendo
Palavras ecoam
e a melhor expressão
é a do silêncio
que mesmo verbo
não versa em nada
Não há flores neste asfalto
e a poesia em mim se cala
domingo, 21 de novembro de 2010
Veículo QSP!

é uma fusão co-administração da poesia do grupo ACADEMIA ONÍRICA com a música da banda QUARTERÃO – indicado para o tratamento de qualquer efeito placebo, diz NÃO a toda prescrição manipuladora! – inibidor potente da flacidez do não-dito, do não-feito! – estudos adequados atestam sua eficácia pró-permanência de toda sorte de inspiração, sobretudo as inflamáveis – tais pesquisas também confirmam que a administração de VEÍCULO Q.S.P. concomitantemente com festa, diversão e fúria resultou em um considerável acúmulo de bem estar no paciente, ou melhor, no sujeito – embora estudos de interações com outras drogas não tenham sido realizados, tais combinações podem ser positivas: combatendo ânsia, angústia e medo – existem relatos de que POESIA TARJA PRETA é certeiramente indicada para exterminar, de modo sumário, algemas e o mais que com elas se pareçam – QUARTERÃO é adequado para catalisar o grito primata do homem solar, intermunicipal e provinciano, que se rebela contra as agruras da decrépita cidade frankstein – VEÍCULO Q.S.P. é bem tolerado – as reações adversas mais comumente observadas são reverberações no tempo – isto é, reações adversas, não – o espanto é poético, ou seja: foi, é e será uma QUANTIDADE SUFICIENTE PARA uma reação adverso +
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Questão de perspectiva
Discordo...
como sempre olho de perto, o vejo enorme.
O maior!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Liberdade, independência e roupas a secar
Os pregadores de roupas são a conseqüência do meu esforço por uma vida independente: um dia, não muito distante, os comprarei para minha casa. Acho o ato máximo de liberdade eu ter meus próprios pregadores, grampos coloridos que irão se perder, multifacetados e infiéis a mim. Meus pregadores, minhas roupas em meu varal!
Este dia glorioso povoa minha imaginação: eu chego em casa, roupas leves num sábado ensolarado (o sol no sábado é mais gostoso, menos agressivo e sempre vem acompanhado de música), pego uma singela peça de roupa molhada, estendo sobre o varal e, com meu pregador, fixo a mesma no tal ato máximo de liberdade. Eu comprei o pregador, ele me obedece, somos moradores dessa mesma casa, posso deixá-lo organizado no varal, solto ao chão, grudado na roupa já seca... posso chorar um dia pregando as roupas, ele, meu confidente.
Num dia qualquer minha raiva pode ser descontada num pregador verde, numa ira sem sentido, arremessado violentamente contra a parede. Ele, mais forte que eu, vai rir do meu ato insano, e vai mostrar que aquilo não serviu pra nada. Vai me observar chorar arrependida, envergonhada de todo o teatro dramático daquele instante, e voltará às minhas mãos, como o meu querido pregador de roupas, a quem posso ser livre. Não existe nada mais vivo e real que colocar as roupas para secar. Nem nada mais livre que ter meu próprio pregador de roupas, no modelo adequado às minhas necessidades, nas cores que desejo, no mundo que construi para mim.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
senta lá fora e fica
olhando o céu
um Órion atravessado
na retina
enquanto Plêiades dançam
carinhosas.
Pode ficar aí
sem pressa
eu não volto meu bem
não me espera
o sabor da vida
é não saber
como manter
as feridas abertas.
Qualquer dia desses
eu passo por aqui
apareço em riso.
O desespero é meu
compromisso
e por causa disso
eu imploro,
como quem nada quer,
o meu simples desejo:
não me espera.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Eu sou grande, meu deus!
Só vim aqui para dizer. E disse.
sábado, 25 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Que serventia tem?
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Alma da silva
só olhos imprecisos
não enxergam os ritmos
O mundo é um rio
e o carregar das horas
se torna corrente e carinho
Afogar-se não é uma opção.
sábado, 28 de agosto de 2010
TRIMERA N° 4!
Chegamos à última edição da revista.
Agradecemos a todos que ajudaram, que atrapalharam, os que sequer souberam de sua passagem por aqui, os entusiastas, os sonhadores, os críticos, os devedores, os gênios incógnitos, os medíocres notórios, os artistas, os não-artistas e, por fim, os escritores, estes em menor número.
Sirvam-se das postas desta literatura rasgada onde derramamos nosso sangue e com borrifos e filetes tingimos essas últimas páginas.
Bon apetit!
Leia a Trimera on-line.
sábado, 21 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Pausadamente árida
de condensar as minhas lágrimas.
Hoje que me faço
ataduras de veludo
aos ouvidos machucados.
Logo hoje
minha coluna
mantida ereta
cabeça erguida
e
na testa
um suor porco.
Me sinto pouco.
Talvez nenhum.
E não choro
águas paradas
lagoas desembocando no caos.
Logo hoje
elegia ao tempo
eu sofro de mundo
e mudo
o vento
a cada instante.
Queria mesmo era chorar.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Função da poesia
Tampar buraco na parede
Fazer sutura
Limpar o chão
Pra cantar mulatas
Comprar as drogas
Buscar estrelas e
Florir as hortas
Mas me diz, que eu ainda não entendo
pra que é que tu quer poesia mesmo?
Pra vender lixo
Reciclar a alma
Pagar o flanelinha
Atravessar o Parnaíba
Fazer farofa
Votar
Pra andar descalço
Pra desculpar as loucuras e
Pegar passarinho
E pra que mais que tu usa
Essa tal de poesia?
Pra subir a serra
Remendar roupa
Catar feijão
Assar milho na estrada
Rezar o terço
E vezenquando
Morrer na curva São Paulo
Eu só não uso para amar
que com poesia não se ama
nem se abraça ou vai pra cama
amor é bom é de viver.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O mundo é tão bonito
quarta-feira, 16 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Sem sombra de dúvida
Certeza, certeza... só a morte.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Desejo ser
Todos os dias caminho
na areia mais grossa
correr nela é o desafio
que impus à lógica
Todos os dias
um poema novo
me move
e eu apanho
na cara
eu apanho eu apanho
a___p___a___i___x___o____nada
quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
.
sejamos
a delicadeza nunca fez
parte alguma
dos modos de meu peito surreal
Temo o depois
de cortes feitos por papel virgem
escorrendo a dois
temo
perder a viagem
Se é para nos quebrarmos
sejamos
o mais puro deleite
fervor
o aparente desconsolo
sentenças instáveis
que abandonam vacilantes
em valsa
sábado, 22 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Muitíssimo obrigada
Agradeço, a todos que vem aqui, as mais de 7 mil visitas.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Anotações pós pesadelo.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Encontro com o tempo
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Testemunhos à parte
culpas
medos
relacionamentos vazios
Desejos mais antigos:
necessidade de amor
de fazer algo importante
deixar algum legado
Banal né?
Todos Nós. Emaranhado de nós.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
ausente de assim ter nascido
um ausente partido
coração entranhado no mar
Toco em todas as terras
em centímetros de perguntas
que lançadas, voltam
e, a indagar, passam o resto da vida
Sou um estranho navio
que, distante
se mostra em brilho
e, constante
se perde intenso em delírio
Um estranho e pesado
navio de guerra
por vezes jangada
e, no amor, um delicado cruzeiro
Um navio apenas
indefinido por ser impróprio
apaixonado pelo oceano
em que, naufragando
se refaz a cada instante
quinta-feira, 22 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
E quem se importa?
Eu já deveria saber.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Eu digo amor
terça-feira, 30 de março de 2010
Passageira
nem o sumiço das horas
passatempo tão pesado
nem a neblina nos olhos
amargor fechado
nem as agulhas espalhadas
gritando em minha pele
nem o sussurro tangível
de quem atravessa o labirinto
e nele se consome.
Nada pode me matar
ouço o despertar felino
das moças prostitutas febris
ouço o semáforo em amarelo
das madrugadas solitárias
meus músculos ouvem
e repelem cada centímetro.
Nada pode me matar
nem a minha insegurança
meus braços maiores que tudo
o sufoco que impus ao mundo
as trapaças na roleta russa
Nada
o frio que me enreda
e devolve meu ser azul
não pode alcançar meu peito.
Nada pode me matar
nem os tiros de glória
de um passado inexistente
nem os hermetismos de outrora
serenas madrugadas sombrias
álcool e poesia
desejo e repreensão.
Nada pode me matar
eu grito isso há tanto tempo
reviro páginas
deito espalhada
e penso se vou ficar aqui sozinha
pelo resto dos dias
sem me levantar.
domingo, 28 de março de 2010
A crítica e o tempo
Falar de amor
Rima, riso e artifício
Nem me fale em poesia
Que aos 20 não é isso
De fazer com lágrima
O compromisso adiado
Falar dela: perfeição e passado
Nem me fale em poesia
Que aos 30 ainda é descaso
De discorrer das complexidades
Alterar conceitos
Repetir fatos, ditos e feitos
Nem me fale em poesia
Que aos 40 é sem efeito
Mas ainda insistia
Despudoradamente
Grito amor e riso
Nem me fale em poesia
Que ainda se morre disso
domingo, 21 de março de 2010
Animula Vagula Blandula
Vergílio Ferreira
quarta-feira, 17 de março de 2010
eu já era.
Passar bem.
terça-feira, 16 de março de 2010
Espírito do rio
Me abraça forte agora e me devolve o que eu te entreguei: versos e excessos de palavras que poderiam ter sido e não foram, não são. E que se dane o desespero, quero muito a vida plena e deliciosa. Carne sangrando rasgada com cheiro de sangue e jeito de quem não tem mais jeito, vai ficar ali exposta... Também amo o suor, o natural, o cruel às vezes me convida, o grito! ! Dependo de todos para fazer valer a pena destas linhas, mesmo sabendo que quem vem de encontro a elas vem para encontrar a si de alguma maneira, e nunca se encontrar comigo. Escrevi e não estou mais aqui. As linhas do mundo inteiro. E sabe o que mais? Não me envergonho de errar, meu texto pulsa no meu ritmo, se admite com meus erros, se forma e deforma conforme minha dança, meus passos e os passos de tantos que sigo, de poucos que me seguem mortos ou vivos estão todos aqui. Um só. Somos plantas enraizadas nos céus e as estrelas caem todos os dias no mar iluminado da manhã.
De todas as horas do dia é meio dia que tudo se congela em luz e calor infernal, é meio dia que tudo para e não pergunta nem responde. É cinco da tarde a hora mágica que o mundo renasce, é cinco da tarde que os cheiros se mostram divinos, que a luz fica inebriante véu. O mundo me bate meio dia e me embriaga cinco da tarde. Completamente poesia neste instante. Sou poesia por todas as horas exageradas e inconstantes, por todos os gritos internos, os desagravados silenciosos eu sou! Poesia por todos os poros arreganhados de euforia, pelas pernas bambas às vésperas de um recital, pelo meu fim eu sou poesia. Amém. Em toda parte e nos inteiros eu sou poesia.
O grito se acalma.
Questiono meus métodos. Questiono meus dedos. Questiono minhas unhas frágeis. Indassim sou poesia.
Me larga agora... o abraço já foi suficiente, já se foi o abraço. Me larga, que o dever te realiza e eu nunca fui dever. Me larga!
Estou cansada.
É muito trabalhoso sentir assim. Me fecho agora em sono restaurador e volto, acordando todinha para dentro.
Espontaneidade, meu deus, é tudo enquanto.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Alma verso.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Academia Onírica

Prestando meus singelos serviços à esta iniciativa da qual faço parte.
Compareçam!!
Para maiores contatos e informações acessem: http://poesiatarjapreta.blogspot.com
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Coma isso

Tenho rios de tristeza correndo até os olhos e em meu peito tiros resvalam solidão. Depois de horas-semana naquela janela gradeada, olhando o céu, rodeada de músicas de outros continentes com frio suor escorrendo pelos dedos, eu estava te esperando.
Uma dor insuportável guardava o sol em minha cabeça. Às seis da tarde pus os óculos escuros fugindo da claridade dolorosa e não dormi por pura falta de sono. Talvez também me faltasse consolo, abano. Ah...... eu estava te esperando.
A necessidade boiava como um cadáver indesejado, nenhuma luz se demonstrava catedrática a ponto de invadir e preencher meu cerne, nenhuma mão se segurava à minha, nenhuma boca beijou meus olhos. Decidi seguir caminho. Eu estava te esperando.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O sistema
Os políticos falam mas não dizem.
Os votantes votam mas não escolhem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas.
Eduardo Galeano, In: O livro dos abraços.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
?
Acordo com os olhos ainda fechados e peço que os sentidos saiam pela minha boca, pois pelos olhos os sentidos não alcançarão onde quero tocar. Reverberar os centímetros de asfalto quente ao meio dia, restaurar as crateras no rosto daquela senhora parada no ponto de ônibus, fazendo careta do calor que sobe democrático. Somos todos um só, somos todos um som, sou uma reescritura sagrada por ser música, sofrida por ser poesia, louca por ser
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Depressão pós pós
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Ato máximo
e
por puro prazer estético
eles o mantém ainda vivo
sábado, 9 de janeiro de 2010
De quando a rua foi engolida por um dragão de nuvens
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
UniVerso.
Preciso delirar com segurança, tenho medo de me perder.
Não deveria ter escrito este texto, mas ele já nascido e independente caminha por aqui, é uma divagação, um ensaio, e para quem não sabe: divagar se vai ao longe, é por isso que sigo à risca o divagar e sempre.
Me guardem com carinho, pois aqui faço tudo de propósito.